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FAQs
Perguntas frequentes
O que é a Pegada de Carbono corporativa?
A Pegada de Carbono corporativa quantifica os gases com efeito de estufa (GEE) libertados para a atmosfera pela atividade de uma empresa.
Contabiliza sobretudo dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O), mas também os gases fluorados presentes em equipamentos de refrigeração e climatização. Todos são convertidos numa unidade comum, a tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e), em função do respetivo potencial de aquecimento global, para que possam ser somados e comparados entre si.
A pegada pode ser calculada para a organização inteira, para uma unidade industrial, para um processo específico ou para um produto. O que muda é a fronteira; o método é o mesmo.
Qual é o papel da Pegada de Carbono nas alterações climáticas?
A pegada de carbono de uma empresa traduz o seu contributo direto para o aumento da concentração de GEE na atmosfera - a causa do aquecimento global.
Os GEE retêm calor e permanecem na atmosfera durante anos ou décadas, o que significa que o efeito das emissões de hoje se prolonga muito além do exercício em que são contabilizadas. A lógica não é apenas ambiental, é cumulativa: cada tonelada acrescenta-se ao stock que já lá está e acelera as alterações climáticas.
É também por isso que reduzir emissões empresariais é uma das alavancas mais diretas de mitigação - grande parte das emissões globais tem origem em atividade económica, e é aí que as decisões de investimento, de energia e de compra têm efeito imediato.
Porque é importante calcular a Pegada de Carbono?
Porque não se gere o que não se mede: o inventário é o que revela onde estão as emissões, onde está o desperdício e onde compensa agir primeiro.
Na prática, o cálculo serve cinco objetivos:
- Identificar prioridades: saber quais as atividades responsáveis pela maior parte das emissões permite tomar medidas onde elas têm efeito real, em vez de as espalhar por onde são visíveis, e influenciar a cadeia de valor com argumentos concretos.
- Reduzir custos de operação: a redução de consumos e a otimização de processos com vista à redução de emissões traduz-se tipicamente em menos energia, menos desperdício de material e menos quilómetros. A fatura desce pelo mesmo motivo por que as emissões descem.
- Promover a inovação: procurar alternativas com menores emissões obriga a questionar processos, materiais e fornecedores. É frequentemente aí que aparecem melhorias que ninguém andava a procurar.
- Responder a clientes, bancos e investidores: os dados de carbono já são pedidos em concursos, avaliações de risco de crédito e questionários de fornecedor. Quem os tem responde em dias; quem não os tem perde a oportunidade.
- Antecipar o relato de sustentabilidade: quando a obrigação de reportar chega, o inventário já tem de existir e ter histórico. Começar antes é mais barato do que começar a correr.
Como se organizam as emissões de GEE? (Âmbito 1, 2 e 3)
Em três âmbitos: âmbito 1 são as emissões diretas, âmbito 2 as da energia adquirida e âmbito 3 as que ocorrem ao longo da cadeia de valor.
Âmbito 1: emissões diretas, de fontes que a empresa detém ou controla:
- consumo de combustíveis nas instalações (cozinhas, climatização, aquecimento de águas, produção de vapor)
- consumo de combustíveis na frota da empresa
- fugas de gases de refrigeração (ar condicionado, arcas frigoríficas, chillers)
- aplicação de fertilizantes e emissões da pecuária, no setor agroalimentar
- emissões de processo, em determinadas indústrias
Âmbito 2: emissões indiretas da energia comprada a terceiros:
- eletricidade adquirida
- vapor, calor ou frio adquiridos
Âmbito 3: emissões indiretas da cadeia de valor, a montante e a jusante:
- bens e serviços adquiridos (matérias-primas, água, consultoria)
- transporte e distribuição a montante
- transporte e distribuição dos produtos vendidos
- deslocações dos colaboradores casa–trabalho–casa
- viagens de negócios
- tratamento dos resíduos produzidos na empresa
- utilização e fim de vida dos produtos vendidos
- investimentos, ativos arrendados e franquias
Os âmbitos 1 e 2 são obrigatórios em qualquer inventário credível. No âmbito 3, o GHG Protocol define 15 categorias e aplica-se um critério de materialidade: identificam-se as categorias relevantes para o negócio e justificam-se as exclusões. Na maioria dos setores é o âmbito 3 que domina a pegada, frequentemente mais de 70% do total.
Quais são as principais fontes de emissões numa Pegada de Carbono corporativa?
Na maioria das empresas concentram-se em cinco frentes: compras, energia térmica, eletricidade, frota e, no setor agroalimentar, pecuária e solos.
| Fonte de emissão | Âmbito |
|---|---|
| Aquisição de bens e serviços | 3 |
| Combustíveis fósseis para produção de vapor e aquecimento | 1 |
| Consumo de energia elétrica | 2 |
| Combustíveis fósseis na frota própria | 1 |
| Pecuária e gestão de solos agrícolas | 1 |
O peso relativo muda radicalmente com o setor. Numa indústria intensiva em calor, a energia térmica pode ser a maior fatia; num retalhista ou numa empresa de serviços, é quase sempre a aquisição de bens e serviços - e essa está no âmbito 3, fora das paredes da empresa. É por isso que o primeiro inventário costuma surpreender. E é exatamente para isso que serve.
Que documentos preciso de ter para começar a calcular a Pegada de Carbono?
O essencial são as faturas anuais de energia e água, os registos de consumo da frota e os comprovativos de compra de matérias-primas.
Para os âmbitos 1 e 2, o mínimo para ter um resultado:
- faturas anuais de consumos de energia: eletricidade, gás natural, gasóleo, GPL, biomassa e outros combustíveis
- faturas anuais de água
- registo do consumo de combustível da frota, ou quilómetros percorridos por veículo
- registos de reposição de gases de refrigeração em equipamentos de frio e climatização
Para avançar no âmbito 3:
- documentos que comprovem a compra de matérias-primas: quantidade adquirida, custo, origem e fornecedor
- guias de acompanhamento de resíduos (e-GAR) e destino final
- registos de viagens de negócios
- inquérito de deslocações casa–trabalho aos colaboradores
Antes de começar, duas decisões que condicionam tudo o resto:
- qual é o ano-base do inventário
- qual é a fronteira organizacional - que instalações, empresas e participações entram na contabilização
Nota prática: se faltar algum destes elementos, não é motivo para adiar. Ver a pergunta seguinte.
Preciso de ter todos os dados antes de começar?
Não. Comece com o que tem, o inventário melhora a cada ciclo.
A metodologia do GHG Protocol prevê o uso de estimativas e dados secundários, desde que documentados de forma transparente. O primeiro inventário serve para identificar onde estão as emissões e onde estão as lacunas de informação. O segundo é mais preciso. O terceiro já é rotina. Esperar por dados perfeitos é a forma mais comum de nunca começar.
Quanto tempo leva a calcular a Pegada de Carbono?
Com o Get2Zero SIMPLE, uma primeira estimativa fica pronta em menos de uma hora. Um inventário completo e auditável leva tipicamente algumas semanas.
A diferença não está na ferramenta, está nos dados. Âmbito 1 e 2 são rápidos: faturas de energia e combustível. O âmbito 3 exige envolver compras, logística e fornecedores, e é aí que o cronograma se define. A nossa recomendação é começar por uma versão simples e completa em vez de esperar pela versão perfeita e inacabada.
A minha empresa é obrigada a calcular e reportar emissões?
Depende da dimensão, do setor e dos seus clientes, mas o universo de empresas abrangidas tem vindo a aumentar.
Além da regulamentação europeia de relato de sustentabilidade, há três forças que já obrigam empresas sem qualquer requisito legal direto: clientes que pedem dados de carbono nos concursos, bancos que os incluem na avaliação de risco, e mecanismos como o CBAM, que impõe obrigações a quem importa na UE determinados bens intensivos em carbono - e exigências de dados a quem os fornece. Se ainda não lhe pediram, é provável que peçam. Como as regras têm sido revistas, confirme sempre o enquadramento atual antes de tomar decisões. Nós podemos ajudar nessa avaliação, fale connosco!
Os cálculos servem para verificação externa?
Sim, a metodologia e a rastreabilidade foram desenhadas para suportar verificação externa.
Cada valor é rastreável até à fonte: fator de emissão utilizado, versão, pressuposto aplicado. Um verificador consegue reconstruir o caminho entre o número final e o dado de origem e é essa rastreabilidade que distingue um inventário defensável de uma folha de cálculo. O resultado da verificação depende sempre da qualidade dos dados fornecidos e do nível de garantia pretendido.
Qual é a diferença entre o Get2Zero SIMPLE e o Get2Zero PRO?
O SIMPLE é para quem está a começar a medir; o PRO é para quem precisa de gerir uma estratégia de descarbonização completa.
O SIMPLE dá-lhe um cálculo rápido, uma interface direta e relatórios automáticos. O PRO acrescenta todos os âmbitos e categorias, integração da cadeia de valor, análises personalizadas, cenários e medidas de redução, alinhamento com o GHG Protocol, metas preparadas para validação SBTi e resposta a requisitos de relato. Muitas empresas começam no SIMPLE e evoluem para o PRO.
As formações são realmente gratuitas?
Sim. Todos os módulos são gratuitos. Basta criar uma conta para desbloquear.
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